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Como administrar melhor o tempo e viver melhor



Regras de ouro para administrar o tempo
e viver melhor


* por Tom Coelho



"Some dance to remember, some dance to forget."
(Eagles, in Hotel California)



Algumas dicas práticas para melhor gerenciar o tempo e elevar a qualidade de
vida.



1. Seja sempre pontual. Autênticos líderes não deixam ninguém esperando para
um compromisso agendado. É preferível chegar 30 minutos mais cedo que apenas
cinco minutos atrasado.



2. Espere 24 horas para reagir. Procure não reagir antes de 24 horas. Entre
um dia e outro, com uma noite de descanso no meio, o que se mostrou um
problema irresoluto surgirá não menor, mas com dimensões reduzidas à sua
realidade.



3. Ninguém está contra você. Por compreender que a natureza humana é
legitimamente individualista e egoísta, aprendi que raramente as pessoas
estão contra mim, pois estão apenas a favor delas próprias. Esta percepção é
suficiente para evitar conflitos desnecessários e eleger as batalhas que
valem a pena ser travadas.



4. Exceção não é regra. Refeições feitas em fast food ou em frente ao
computador, noites em claro ou maldormidas, dias sem comparecer à academia,
certa desatenção para com os familiares. Tudo isso, embora indesejável e não
recomendável, pode ser tolerado quando acontece de maneira pontual, por
curtos períodos de tempo. Mas é inadmissível que se torne regra.



5. Administre a transição do ambiente profissional para o familiar.
Situações de conflito começam ou se intensificam nos primeiros minutos após
o regresso ao lar. Por isso, ao chegar em casa, estabeleça uma zona
intermediária de até 15 minutos, período no qual deverá apenas cumprimentar
carinhosamente seus familiares com no máximo 25 palavras. Procure
desacelerar. Tome um banho, troque suas roupas, beba algo. O diálogo que
seguirá será mais ameno, gentil e profícuo.



6. Gerencie a concentração, não apenas o tempo. Estabeleça uma hora por dia
sem interrupções para você e neste intervalo trabalhe concentradamente em
três objetivos específicos. Faça as tarefas mais desagradáveis logo no
início do dia, quando sua energia, concentração e disposição são superiores.




7. Evite o duplo manuseio. Ocorre quando você recebe as correspondências do
dia, faz uma triagem, inicia a leitura de uma carta ou e-mail e decide
interrompê-la para continuar depois. A regra é começar e terminar!



8. Administre a energia, não o esforço. Faça pausas estratégicas de apenas
30 segundos a cada meia hora, e pausas essenciais de dois a cinco minutos no
meio da manhã e à tarde para aumentar sua energia e concentração.



9. Não espere pelo mundo perfeito. O tempo certo para agir é agora. Não de
qualquer jeito, não com mediocridade, mas com o máximo empenho possível.
Amanhã, como diriam os espanhóis, é sempre o dia mais ocupado da semana.



10. Ouça sua intuição. Fique atento aos "sinais" por mais sutis que sejam.
Isso não significa necessariamente seguir à risca a intuição para tomar
decisões, porém jamais ignorá-la.



11. Coloque VOCÊ em sua agenda. Determine um dia por semana, e apenas uma
hora nesse dia, que será reservada a você e mais ninguém. Desligue
telefones, feche a porta da sala, não receba ninguém - apenas a si próprio.
Dê atenção e oportunidade à pessoa mais importante de sua vida: você mesmo!



12. Tenha uma agenda de 10 segundos. Em que pesem todos os planos, com os
pés firmes no chão e os olhos no firmamento, a vida está acontecendo aqui e
agora. Por isso, sua agenda deve contemplar somente os próximos dez
segundos. Talvez breves, talvez distantes, talvez intermináveis e, talvez,
inatingíveis dez segundos.



13. Faça de seu trabalho um meio de diversão. Este é um aviso essencial
àquelas pessoas que, ao entardecer do domingo, têm uma sensação de angústia
diante do início de mais uma semana de trabalho que se avizinha. Procure
cultivar um trabalho digno e prazeroso, que seja fonte de alegria e não de
infelicidade.



14. Evite as saudades vazias. Saudades dos lugares que não visitou, das
viagens que não fez, dos pratos que não provou, dos abraços que não acolheu,
dos beijos que não deu ou recebeu. Lembranças imaginárias do que poderia ter
sido, mas não foi. Para evitá-las, prefira pecar por excesso do que por
omissão.



15. Aproveite o momento! Por fim, viva sua vida de forma extraordinária, com
intensidade. Não se trata de aproveitar o dia como se fosse o último e,
desta forma, fazê-lo de maneira irresponsável, mas de elevar a qualidade de
cada momento, proporcionando a si e oferecendo aos demais o que você tem de
melhor.



Tal qual a letra da banda Eagles, que prefacia este texto, alguns dançam
para lembrar, outros, para esquecer. Em qual grupo você está?




* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em
17 países. É autor de "Somos Maus Amantes - Reflexões sobre carreira,
liderança e comportamento" (Flor de Liz, 2011), "Sete Vidas - Lições para
construir seu equilíbrio pessoal e profissional" (Saraiva, 2008) e coautor
de outras cinco obras. Contatos através do e-mail
tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite:
<http://www.tomcoelho.com.br/> www.tomcoelho.com.

Copa e Olimpíada - Lições de planejamento e ética




Autor

Tom Coelho




A Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 serão bem sucedidas. Porém, a um custo
difícil de calcular - e de aceitar. 






Copa e Olimpíada

Lições de planejamento e ética

* por Tom Coelho



"Acordo de manhã dividido entre o desejo de melhorar (ou salvar) o mundo

e o desejo de desfrutá-lo (ou saboreá-lo).

Isso dificulta o planejamento do meu dia."

(E. B. White)





Zurique, Suíça, 30 de outubro de 2007. O Brasil é anunciado como palco para
a Copa do Mundo de 2014. Dois anos depois, mais precisamente em 2 de outubro
de 2009, seria a vez do Rio de Janeiro derrotar Chicago, Tóquio e Madri,
sendo escolhida como cidade sede para as Olimpíadas de 2016. Parece que foi
ontem...



O relato que farei a seguir caberia já em 2007, o que lhe configuraria um
caráter ainda mais profético. Mas ainda é digno de registro. Afinal, há um
consenso de que muitos são os desafios a serem superados para que ambos os
eventos não sejam um fiasco capaz de comprometer a imagem de nosso país.



O problema está na infraestrutura sob todos os aspectos. Aeroportos com
pátios lotados e saguões cheios, atrasos e cancelamentos nos voos, demora na
restituição de bagagem, falta de vagas nos estacionamentos. Infraestrutura
viária caótica, com transporte coletivo insuficiente, congestionamentos e
falta de sinalização. Estádios e complexos esportivos com cronograma
atrasado. Ausência de preparo e treinamento de mão de obra para atender aos
turistas. Falta de um plano de segurança e de contingenciamento de crises.



Todos estes são aspectos relacionados à gestão pública aos quais devemos
acrescentar outros, como rede hoteleira deficiente. A lista é interminável.
Contudo, a boa notícia, posso lhes assegurar, é que no final tudo dará
certo. Onze anos de experiência em construção civil me permitem lhes dizer o
porquê desta crença.



1. Planejamento



Não temos cultura de planejamento. Este fato é um resquício do período de
superinflação e instabilidade institucional que vivemos entre 1980 e 1994. A
falta de planejamento está presente nas pessoas que não cultivam o hábito de
poupar, fazer seguro ou plano de previdência. Está visível no estudante que
após quase quatro anos de curso reserva apenas dois ou três meses para fazer
seu trabalho de conclusão. Está inerente às empresas, que apenas
recentemente começaram a traçar um planejamento estratégico anual para
orientar suas ações corporativas. 



2. Administração do tempo



Decorre do aspecto anterior. Somos uma nação que tem por hábito protelar,
procrastinar, adiar. Desrespeitamos veladamente horários em quaisquer tipos
de compromisso, seja uma reunião escolar, de condomínio ou na empresa.
Chique é chegar atrasado ao casamento, à festa, ao encontro marcado. Bom
mesmo é deixar para fazer no último instante.



3. Ética



Este é o ponto-chave. Quando se fala em construção civil, vou lhes
confidenciar algumas coisas. A regra do jogo é entrar na obra. Vencer a
licitação ou a concorrência, seja pública ou privada, mesmo com margem de
lucro muito reduzida. Diante dos riscos, vale até mesmo encarar margem
negativa no início da obra. Sabe por quê? Os grandes ganhos virão depois sob
a forma de aditivos contratuais, taxas de urgência, adendos, horas extras e
todo tipo de expediente. Funciona assim para a empresa ou consórcio vendedor
do certame, bem como para seus subempreiteiros e terceirizados. Este é o
princípio ético básico.



Por isso, tenham algumas certezas. Primeiro, todos os orçamentos em curso
serão multiplicados por, no mínimo, quatro ou cinco. Segundo, a partir de
2013, e não antes, as capitais que sediarão jogos se tornarão imensos
canteiros de obras. Terceiro, teremos uma bela Copa e uma incrível
Olimpíada. Pena será tomar conhecimento, ao final, do custo de toda esta
brincadeira.





* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em
17 países. É autor de "Somos Maus Amantes - Reflexões sobre carreira,
liderança e comportamento" (Flor de Liz, 2011), "Sete Vidas - Lições para
construir seu equilíbrio pessoal e profissional" (Saraiva, 2008) e coautor
de outras cinco obras. Contatos através do e-mail
tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite:
<http://www.tomcoelho.com.br/> www.tomcoelho.com.br e
<http://www.setevidas.com.br> www.setevidas.com.br.

Sobre egoísmo e altruísmo



por Tom Coelho


Vivemos em um mundo não de escassez, mas de abundância. Porém, o
individualismo dilacera a possibilidade do compartilhar.



"Uma pessoa é única ao estender a mão,

e ao recolhê-la inesperadamente se torna mais uma.

O egoísmo unifica os insignificantes."
(William Shakespeare)



Em um intervalo de duas semanas assistimos a três eventos trágicos que
ceifaram vidas: a garotinha atingida por um jet sky, a adolescente vitimada
por um brinquedo em um parque de diversões e a ciclista atropelada por um
ônibus. Embora eventos distintos, guardam correlações que merecem reflexão.



No caso da pequena Grazielly Lames, que pela primeira vez em seus tenros
três anos de vida avistava o mar e pisava a areia da praia, chama-nos mais a
atenção não o fato de o menor de 13 anos estar ou não conduzindo o veículo
na ocasião, mas sim de ter fugido na companhia de sua mãe em um helicóptero,
enquanto a criança aguardava 40 minutos por socorro. O egoísmo latente, a
preocupação exclusiva com os próprios interesses e a negligência diante da
responsabilidade pelo ato impediram que o mesmo helicóptero prestasse pronto
atendimento à menina.



No evento do Hopi Hari, causa-nos indignação saber que o assento que vitimou
Gabriela Nichimura estava inadequado para uso havia dez anos, sem que
qualquer providência tivesse sido tomada. Porém, mais do que a omissão da
empresa, a falta de liderança e comando, e o flagrante desrespeito às normas
mínimas de segurança, foi repugnante ver o parque continuar suas atividades
naquele dia fatídico e ainda abrir suas portas no dia seguinte como se tudo
estivesse dentro da mais absoluta normalidade.



Por fim, a bióloga e pesquisadora Juliana Dias, que fazia da bicicleta seu
meio de transporte, obedecendo às normas, à sinalização e portando os
equipamentos de proteção devidos, sucumbiu após ser fechada por outro
veículo que também se evadiu do local sem prestar socorro. Vítima da guerra
pelo espaço urbano em uma cidade desestruturada que não consegue conferir
mobilidade aos seus cidadãos.



Três eventos, três vidas que se foram prematuramente. Indícios de uma
sociedade fragmentada, individualista e em franco processo de apodrecimento.
Vivemos em um mundo com sete bilhões de pessoas, com acesso aos mais
diversos recursos e à comunicação instantânea, mas paradoxalmente estamos
cada vez mais isolados, encasulados, urgentes e inertes.



Isso me faz lembrar o planeta pós-apocalíptico retratado pelo diretor
australiano George Miller em sua trilogia "Mad Max", que alçou o ator Mel
Gibson ao estrelato a partir de 1979. Mas aquele era um mundo de escassez,
de luta pela sobrevivência e não um mundo de abundância como o que temos
hoje.



É mais do que urgente resgatarmos alguns valores em nossa sociedade. Pais
que não dialogam com filhos, vizinhos que não se conversam, colegas de
trabalho que não compartilham experiências e preferem viver entrincheirados,
evitando expor-se, ficando à espreita por uma oportunidade para dar o bote e
subir um degrau a mais mesmo que em detrimento do outro.



Há uma atitude moral que precisa ser praticada, difundida e valorizada. Ela
atende pelo nome de altruísmo.





* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em
17 países. É autor de "Somos Maus Amantes - Reflexões sobre carreira,
liderança e comportamento" (Flor de Liz, 2011), "Sete Vidas - Lições para
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A Escolha de Sofia - Qualidade de Vida



* por Tom Coelho

“Você faz suas escolhas
e suas escolhas fazem você.”
(Steve Beckman)


No mundo corporativo de hoje os profissionais são constantemente colocados à prova mediante dilemas que lhes são apresentados. Por exemplo, o que fazer quando a empresa exige tanto do executivo que ele tem que escolher entre a vida pessoal e a profissional?

Primeiro, vamos compreender o que é um dilema. Etimologicamente, trata-se de uma decisão entre duas alternativas contraditórias e mutuamente insatisfatórias. Você quer as duas coisas, mas só pode optar por uma. A escolha é tensa, árdua e, por vezes, dolorosa.

Em 1982, o diretor norte-americano Alan J. Pakula, à época já consagrado pelo filme “Todos os homens do presidente”, que narrava a investigação do caso Watergate, comandou Meryl Streep e Kevin Kline na obra-prima “A escolha de Sofia”. O filme contava a história de uma mãe polonesa que durante a Segunda Guerra Mundial é forçada por um soldado nazista a escolher um de seus dois filhos para ser morto sob pena de ambos serem executados –um autêntico dilema.

De volta às empresas, quem disse que carreira e vida pessoal são faces de uma mesma moeda que não pode manter-se em pé? O equilíbrio, do latim aequilibrium, remete à manutenção do mesmo nível (aequus) das balanças (libra). Em suma, conciliar vida pessoal e profissional não é uma escolha de Sofia!

É importante compreender que estes dois universos são indissociáveis, ou seja, não há como separar um do outro, acreditando que o profissional, ao adentrar os domínios da empresa, deixará do lado de fora problemas como um filho enfermo, contas atrasadas ou relacionamento conjugal em crise, dedicando-se integralmente às metas corporativas com plena produtividade. 

Decerto há momentos que nos exigem esforço e dedicação superiores. Horas de trabalho que avançam pela madrugada, por dias sucessivos, regadas a fast food e breves cochilos, negligenciando a família e os interesses pessoais. Tudo para concluir um projeto, desenvolver um produto ou conquistar um novo cliente. O problema ocorre quando um evento circunstancial como este se torna rotineiro.

Se você é solteiro ou está em início de carreira, é possível que aceite de bom grado assumir o papel de workaholic imposto pela empresa –ou autoimposto. E sentir-se feliz e realizado com esta opção.

Porém, se as demandas corporativas estão além do que você gostaria, trazendo-lhe desconforto, assuma as rédeas da situação. Trabalhe com afinco durante sua jornada, aprenda a delegar tarefas operacionais e demonstre ao seu empregador que não é a quantidade de horas, mas a qualidade das horas trabalhadas o fator determinante para seu bom desempenho e o sucesso da organização.

Procure dialogar com seu superior hierárquico, determinando uma agenda positiva, capaz de atender expectativas da empresa e contemplar seus interesses pessoais.

Porém, se ficar claro que a corporação na qual você está tem perfil patológico ou é liderada por pessoas que não enxergam nada além da última linha do balanço –apesar de toda uma retórica voltada à motivação e incentivo à qualidade de vida– considere buscar uma recolocação no curto ou médio prazo.

Lembre-se de que sua escolha não deve ser entre a vida pessoal ou profissional, mas entre ser feliz ou infeliz.
 
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
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